domingo, 11 de maio de 2014

Encontro Marcado ( Parte II)

Verdadeira arca do tesouro é feito de amigos

Uma índia princesa e uma princesa caucasiana

Na caixa de memórias esquecidas têm de tudo, recibos, convites, cartões, cartas de amor... Ahh! As cartas de amor (sussurros), em outro momento falo sobre elas, afinal, são elas as verdadeiras protagonistas desta história... ops! spoiler.

No colégio eu tinha muitas amigas, mas sem dúvidas, tinha duas que eram as melhores do momento. Era uma mistura de amor e competição que até hoje eu não consigo entender... Era tão legal, me sentia viva. A linda morena de cabelos escorridos, meio índia meio princesa, porque não princesa índia. Índia era a sensação da escola, corpinho perfeito crescendo na mais perfeita forma... Inveja, eu tão gordinha... O nosso passatempo era brincar de comidinha, bonecas e teatro... Adorava visitar sua casa, porque ela tinha uma coleção infinita de bonecas que eu queria muito tocar, mas estranhamente ficavam lá no alto, muito alto, eu nunca ousaria subir em um banco ou na cama para ter nos braços a nova boneca da estrela. É uma pena! sempre fui uma covarde, mas nossa diversão mesmo era o teatro, eramos de fato maravilhosas no nosso trabalho, dávamos o sangue para apresentar uma peça bem feita,  eu nem importava que ela era sempre a princesa, afinal, ela era linda... eu entrava de fato no meu personagem.

Não menos importante, e sempre muito querida, tinha a cachinhos quase dourados que fazia parte da minha vida como se só existisse uma... (risos, devaneios). Cachinhos quase dourados era uma garota bochechuda que nem eu acho que por isso me identificava tanto com ela, aquele cabelo longo, aquela pele alva, macia, me deixava intrigada, como podia ser tão clara, Meu Deus. Nossos momentos sempre foram mais educativos, as minhas visitas sempre eram regadas a interesse mutuo... Hora era para estudar, fazer trabalhos, escrever em cartolina ( ai ai, que saudade eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais), hora para jogar videogame... Quem nunca! O melhor de ir à casa dela é porque tinha abacate, cajá, goiaba... Era o pomar dos meus sonhos... Quando minha mãe permitia ir a casa dela, eu seguia viajem em uma espaçonave turbinada, como chegava rápido, como o portão se abria gentil, a mãe de cachinhos sempre foi uma linda, gentil, educada, atenciosa, um amor de pessoa.

Cachinhos é de leão, temperamento forte, combina comigo... nosso relacionamento sempre foi baseado no temor... ( risos) Ela era tão "marrenta", que sabia que tinha que pegar leve nas piadas, peças que pregava nela, mas éramos tão parecidas que eu me via ali...  Se me perguntarem qual o momento mais engraçado da minha vida, sem duvidas ela estará presente... Era tão brava e ao mesmo tempo tão meiga, que para exteriorizar sua raiva ela escreveu um palavrão no forro de mesa do alpendre... Eu fiquei observando aquele palavrão, não tinha permissão pra dizer, também nunca tive intenção, mas aquela escrita me intrigou, era dela, não só era dela, mas tinha a assinatura do autor, ou melhor, autora. Fico pensando que SER humano escreve um palavrão no forro de mesa e assina. 

Eu toda curiosa perguntei o que seria e ela furiosa disse o motivo pelo qual escreveu aquilo, indignação familiar... ok! Eu respeito... Perguntei também o motivo de ter assinado no local do crime, ela disse que queria que todos soubessem que foi ela que fez. Justo. Poderia ter acabado ai, se não fosse o fato da minha querida cachinhos esta dependurada no varal de roupa colocado dentro da área. Ainda vejo, ela de joelhos no pilar, segurando com as duas mãos o varal e para piorar (ou melhor, a pior esta por vir) mordendo a corda com toda força existente naquele pequeno corpo alvo. Distraída com algumas violetas na mesa, ouvi um barulho ao meu lado, não sei como aconteceu, apenas olhei para o chão e lá estava ela, toda estatelada no piso vermelho encerado. Gente! eu não podia rir, lembrem-se o senso de humor dela era limitado, não sabia o que fazer, acredito ter rido pouco daquele momento, se fui embora? Possivelmente, seria muito fácil fazer xixi na roupa de tanta graça que eu senti. 

Estar na presença das minhas princesas era como experimentar a vida das mais variadas formas culturais... Uma me proporcionava às tecnologias a outra me propiciava desfrutar dos contos de fadas mais lindos. 

Engraçado como um convite de casamento, pode me remeter a um passado tão, tão distante, não era apenas pelo convite, era pela honra de ter compartilhado tantas experiências boas, durante a infância e isso poder se estender por muitos e muitos anos. Hoje, depois de doze anos, ainda lembro perfeitamente daquela menina de cabelinho de pria e daquela menina de pele alva. 

continua...



2 comentários:

  1. Adorei o texto!!! Revivo sua infância em seus textos... é como se eu fosse umas das suas amigas e olha que eu sei de quem se trata. bjns

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    1. Obrigada, Ana... é um prazer reviver essas lembranças queridas... Brevemente estarei compartilhando mais historias.

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